quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Crônicas Crentes 04 - UMA ETERNIDADE EM UM GRÃO DE PIPOCA

 



10.09.2025

Se minha vida fosse um campo, com muita relva, árvores e pequenos animais saltitando, aqui e acolá, e estivesse sob meus exclusivos cuidados em meio às dores e labores dessa vida, não teria encontrado para ti um lugar para te estabeleceres.

Se minha vida fosse como o céu azul, com nuvens de todos os formatos, da mais branca e fofa até a mais roxa e marrenta, pronta a derramar suas águas, não imaginaria um dia avistar, em sua amplidão, uma que lembrasse o formato de teu rosto, a cor de tua pele e a suavidade de teu sorriso.

Se minha vida fosse um livro, com textos em estilos variados, sobre todos os momentos que vivi, tu serias apenas um pequeno poema inacabado, quase esquecido, nem mesmo serias uma crônica completa, entre tantas já escritas. Quem pensaria que um novo capítulo viria a ser escrito e que serias a protagonista e não eu?

Se minha vida fosse um sistema de equações diferenciais não lineares, com muitas variáveis acopladas, restrições rígidas e ausência de soluções explícitas, certamente não teria encontrado uma solução mais inusitada, porém elegante e consistente quanto tens te mostrado aos meus problemas.

Se minha vida fosse como um oceano, uma galáxia, um fractal, um jardim, serias nela, sempre e de forma surpreendente, uma pérola preciosa, uma brilhante estrela, um redemoinho coruscante, o mais belo lírio. Se minha vida fosse...

Mas minha vida não é um campo, um céu azul, um livro ou mesmo um sistema de equações. É apenas o que é, um dia após o outro, sempre dependente da graça de Deus. E em um desses dias, após tantos outros dias, tu apareceste, sem que eu tivesse qualquer lugar preparado para ti, ou previsto teu sorriso nas nuvens, ou lembrado do antigo poema nunca terminado, ou sequer vislumbrado em ti alguma solução para tantos dilemas.

Apareceste sem aviso, sem preparação, como uma ventania no fim da estação de seca que prenuncia as chuvas que virão após longo estio. Assim estava minha vida, uma terra estorricada, abandonada, castigada pela ausência de chuvas, sem verde, sem cor. Como foi boa a sua chegada. Voltei a sorrir – até sozinho! –, a sonhar – até acordado! –, a desejar – ainda havia desejos? –, a amar...

Quatro meses (dizem que são bodas de pipoca)! Tão pouco comparado a tantos anos que já vivemos e pela vida que construímos alhures, e paradoxalmente tão longo. A impressão é que estamos juntos há mais tempo, talvez todo o tempo de nossas vidas, apenas separados por um breve período, para realizar um trabalho, uma missão, e depois, cansados, voltar para o aconchego do lar. Conversas, jantares, bambuzais, vídeo-chamadas pela manhã, ligações antes de dormir, idas a hospitais, mãos dadas na igreja, saudade que nunca acaba. Uma eternidade em um grão de pipoca. Continuamos a rir, como antes, a se abrir sem temer a rejeição, a se preocupar, a nos encantar com os detalhes um do outro. Mesmo com o hiato do passar dos anos há continuidade, há cumplicidade, há companheirismo, há rugas de preocupação. Ainda amo seu sorriso (às vezes gaiato), seu olhar (por vezes maroto, por vezes profundo), seus abraços (sempre acolhedores), seu cuidado, seus beijos (sempre doces)... Sim, te amo!

Não sei o que o Senhor nos reserva, mas estou grato a Ele por ter te reencontrado ainda nessa vida, nesse momento de nossas vidas. Há tanto ainda a viver nos dias que virão. Que seja os melhores anos de nossas vidas.

Minha amada Mônica, minha flor do campo, feliz bodas de pipoca!

TAMm

 

Seu...

 

Kelson

 

ps: agora tens uma crônica para chamar de sua!


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