Reginaldo Cresencio
Palestra na manhã
de, 03 de julho de 2026,
No 7º Congresso TDI Brasil,
Universidade Mackenzie - SP.
É uma grande honra participar deste 7º Encontro do TDI Brasil diante de uma seleta plateia, para refletirmos sobre uma das questões mais fundamentais da história da filosofia, da ciência e da própria civilização humana: a questão da verdade. Gostaria de começar nossa reflexão com uma imagem simples. Imaginem uma figura desenhada no chão. De um lado, uma pessoa olha para ela e afirma categoricamente:
— “Isso é claramente um número seis.”
Do lado oposto, outra pessoa observa o mesmo
símbolo e responde com igual convicção:
— “Não. Isso é obviamente um número
nove.”
Ambos estão sinceramente convencidos. Ambos
observam exatamente o mesmo símbolo. Ambos acreditam possuir razão. Agora eu
lhes pergunto: qual deles está falando a verdade? Talvez alguns digam:
“depende do ponto de vista”. E, honestamente, talvez poucas frases consigam
resumir tão bem o espírito intelectual do nosso tempo quanto essa.
Curiosamente, vivemos numa época que alcançou
extraordinário avanço tecnológico e científico, mas que simultaneamente
enfrenta uma profunda crise epistemológica. Nunca tivemos tanto acesso à informação.
Nunca produzimos tantos dados. Nunca desenvolvemos sistemas tão sofisticados de
processamento cognitivo. E, ainda assim, talvez nunca tenhamos vivido tamanha
confusão acerca do que é real, verdadeiro ou confiável.
Entramos numa época em que deepfakes desafiam nossa percepção; algoritmos moldam nossa interpretação do mundo; inteligência artificial produz simulações cada vez mais convincentes; e a própria distinção entre realidade e fabricação começa lentamente a se tornar nebulosa. Paradoxalmente, quanto mais avançamos tecnologicamente, mais urgentemente precisamos recuperar critérios objetivos de verdade. Porque sem verdade objetiva sequer conseguiremos distinguir entre informação e manipulação; descoberta e fabricação; ciência e propaganda. Mas aqui precisamos fazer uma distinção filosófica extremamente importante.
Uma coisa é
reconhecer as limitações interpretativas do ser humano. Outra
completamente diferente é concluir que, por causa dessas limitações, a
realidade objetiva deixou de existir. A primeira afirmação pertence ao campo da
epistemologia. A segunda é uma afirmação ontológica muito mais radical. E
confundir essas duas coisas talvez tenha sido um dos erros mais profundos da
cultura contemporânea. Porque o fato de interpretações divergirem não significa
necessariamente que a verdade deixou de existir.
A ideia de verdade objetiva passou a ser vista
com desconfiança. Uma civilização onde expressões como “essa é apenas a sua verdade”;
“cada um possui sua própria verdade”; “verdade é uma construção social”; “tudo depende do seu ponto de vista”, etc, tornaram-se
praticamente axiomas culturais; deixaram de ser apenas slogans acadêmicos e
passaram a moldar profundamente nossa cultura. De fato, vivemos uma crise
epistemológica profunda.
O problema é que, quando uma sociedade deixa
de acreditar na possibilidade da verdade objetiva, ela não destrói apenas a
religião. Ela começa lentamente a destruir também: a moral; a justiça; o
diálogo racional; a confiança pública; e até a própria ciência.
A grande pergunta do nosso tempo talvez não seja:
“Qual é a verdade?” Mas algo
ainda mais fundamental: “A verdade
existe?”. Essa pergunta é civilizacional. Porque toda sociedade depende
da pressuposição de que existe algo real a ser conhecido. Toda ciência
pressupõe isso. Todo tribunal pressupõe isso, toda investigação, toda filosofia,
toda comunicação pressupõe isso. Até mesmo quem nega a verdade objetiva
normalmente espera que sua negação seja objetivamente verdadeira. E aqui
começamos a perceber que talvez o relativismo contemporâneo possua um problema
estrutural interno.
1. O QUE É
VERDADE?
A pergunta: “A verdade existe?” É tão importante, porque talvez o futuro da ciência,
da racionalidade e da própria civilização dependa da resposta que dermos a essa
pergunta. Antes de perguntarmos se a verdade existe, precisamos perguntar: o
que queremos dizer com “verdade”? Historicamente, uma das definições mais
influentes da tradição filosófica clássica vem de Aristóteles e posteriormente
desenvolvida por Tomás de Aquino:
Veritas est adequatio intellectus et rei[1]
(A verdade é a adequação do intelecto à
realidade)
Ou seja: uma afirmação é verdadeira quando
corresponde ao que de fato é. Essa é a chamada teoria correspondentista[2] da
verdade.
Quando afirmo que a água entra em ebulição sob
determinadas condições físicas”, essa afirmação é verdadeira não porque eu
gosto dela, nem porque ela me conforta, mas porque corresponde à realidade observável.
A verdade, portanto, não depende: de preferência; de emoção; de consenso; de
maioria; de ideologia ou aprovação cultural. Ela depende da realidade. E isso meus
caros, é fundamental. Porque a própria
atividade científica só faz sentido se existir uma realidade independente da
mente humana.
Mas aqui precisamos
fazer outra distinção importante. A existência da verdade objetiva não implica
onisciência humana. A ciência frequentemente trabalha com aproximações,
refinamentos e revisões metodológicas. E corrigir interpretações não significa
abandonar a ideia de realidade. Pelo contrário, a possibilidade de correção
científica só existe porque pressupomos que há algo real em direção ao qual
nossas teorias podem se aproximar progressivamente.
2. A REVOLTA CONTEMPORÂNEA CONTRA A VERDADE
Mas então surge a pergunta: como chegamos ao atual cenário de relativização radical? Precisamos compreender brevemente o percurso intelectual da modernidade tardia.
A modernidade depositou profunda confiança na
razão humana. Acreditava no progresso; na objetividade; na ciência; e na
capacidade racional do homem. Contudo, as tragédias do século XX produziram um
profundo desencanto: guerras mundiais; totalitarismos; genocídios; e
recentemente a instrumentalização ideológica da ciência. A partir daí, cresce
aquilo que chamamos de pós-modernidade. Autores como: Michel Foucault[3],
Jacques Derrida e Jean-François Lyotard, passam a questionar
profundamente a neutralidade; os discursos universais; as metanarrativas; as
estruturas de poder. E é importante reconhecer que algumas dessas críticas
possuíam elementos legítimos. De fato, as instituições podem manipular; os discursos
podem oprimir; a ciência pode ser usada ideologicamente e seres humanos possuem
vieses. Mas o problema começa quando a crítica à distorção da verdade evolui
para a negação da própria verdade. E então entramos num território
perigosíssimo.
Porque, se toda verdade é apenas construção de poder, então a própria afirmação: “toda verdade é construção de poder” também deveria ser apenas construção de poder. O relativismo começa então a colapsar sob o peso de sua própria lógica.
3. O PROBLEMA FILOSÓFICO DO RELATIVISMO
Aqui encontramos um dos pontos mais
importantes desta reflexão. O relativismo radical é autorrefutante. Pensemos na
frase atribuída ao conhecido filósofo Friedrich Nietzsche “Não há
fatos, apenas interpretações.[4]”
e façamos uma pergunta simples: essa afirmação é absolutamente verdadeira?
Se for, então existe ao menos
uma verdade absoluta. Se não for, então
não temos motivo para acreditar nela.
O mesmo ocorre com afirmações como “toda
verdade é relativa”, “não existe conhecimento objetivo” e “tudo é interpretação”.
Essas frases tentam funcionar universalmente enquanto negam a possibilidade de
universalidade. Isso gera uma contradição inevitável.
O filósofo cristão Alvin Plantinga[5] argumenta
algo semelhante ao sustentar que, sob determinadas formas de naturalismo evolucionista,
a probabilidade de confiabilidade de nossas faculdades cognitivas torna-se
epistemicamente problemática, produzindo uma espécie de autoderrota racional do
próprio sistema. E aqui percebemos algo importante: O relativismo parece
intelectualmente sofisticado, até que tentamos viver consistentemente segundo
ele. Porque ninguém realmente vive como relativista absoluto.
Ninguém entra num avião esperando que a engenharia seja “socialmente
construída”. Ninguém aceita um diagnóstico médico puramente subjetivo. Ninguém
deseja que o cirurgião diga: “essa é apenas minha narrativa sobre anatomia”. Na
prática, todos continuamos dependendo desesperadamente da existência da verdade
objetiva.
4. A CIÊNCIA PRESSUPÕE UMA REALIDADE
INTELIGÍVEL
E aqui chegamos talvez ao ponto central de
tudo o que já foi dito.A ciência não prova a inteligibilidade do universo. Ela
pressupõe essa inteligibilidade. Isso é extraordinário. A ciência depende de
fundamentos filosóficos anteriores à própria investigação científica. Por
exemplo, a ciência pressupõe:
· que existe
um mundo externo real;
· que as leis
da natureza possuem estabilidade;
· que há
coerência racional no cosmos;
· que a
lógica é válida;
· que
relações causais existem;
· e que a
mente humana consegue acessar parcialmente a realidade.
Mas a pergunta é: por quê? Por que o
universo é inteligível? Por que a matemática descreve a realidade física com
tamanha precisão? Por que estruturas abstratas concebidas na mente humana
correspondem tão profundamente ao funcionamento do cosmos?
Albert Einstein disse certa vez “O mais incompreensível do universo é que ele
seja compreensível[6]”. Essa frase
é filosoficamente devastadora, porque revela um mistério profundo: a racionalidade do cosmos.
A ciência não nasce do caos epistemológico. Ela
nasce da convicção de que existe ordem a ser descoberta. O cientista entra no
laboratório porque acredita, ainda que implicitamente, que existe coerência, regularidade,
inteligibilidade e estrutura. A ciência
não cria inteligibilidade. Ela a encontra. E talvez isso nos obrigue a
considerar uma hipótese metafísica mais profunda: talvez a inteligibilidade do
cosmos não seja um acidente irracional. Talvez ela aponte para uma Fonte
racional. Para um Designer Inteligente.
5. CRISTIANISMO E O NASCIMENTO DA CIÊNCIA
Existe uma narrativa popular moderna de que ciência e cristianismo são inimigos históricos. Mas historicamente isso é extremamente simplista. A ciência moderna nasceu majoritariamente em solo teísta. Grandes nomes da revolução científica eram profundamente influenciados por pressupostos cristãos: Isaac Newton; Johannes Kepler; Robert Boyle; Michael Faraday. Eles acreditavam que o universo era racional, a natureza possuía ordem e as leis naturais refletiam uma mente ordenadora. Kepler compreendia a investigação científica como participação racional na ordem criada por Deus, ideia frequentemente resumida pela expressão “pensando os pensamentos de Deus depois dEle”[7]. Essa visão nasce diretamente da ideia cristã do Logos[8]. O Evangelho de João afirma: “No princípio era o Logos”.
No mundo grego, Logos não significava apenas
“palavra”. Significava: razão, ordem, inteligibilidade e estrutura racional do
cosmos. O cristianismo afirmava algo revolucionário, o universo não é caos
irracional. Ele possui coerência porque procede de uma Inteligência racional. Isso
fornece um fundamento metafísico extraordinariamente fértil para a ciência.
6. A MORTE DA VERDADE E O FUTURO DA
CIVILIZAÇÃO
Agora precisamos considerar as consequências culturais. O que acontece quando uma civilização abandona a verdade objetiva? A primeira consequência é ética. Sem verdade objetiva: a moralidade torna-se mera preferência; a justiça torna-se puro poder; a identidade torna-se fluidez absoluta; e a linguagem perde estabilidade. Então o debate racional começa a morrer. Porque o diálogo só existe quando acreditamos que existe algo verdadeiro a ser buscado conjuntamente. Caso contrário, resta apenas disputa de narrativas.
Talvez seja exatamente neste ponto que esta
discussão deixa de ser apenas um debate filosófico e passa a tocar
profundamente a vida de milhares de famílias cristãs. Como pastor, tenho
acompanhado de perto uma preocupação crescente entre pais sinceros que amam
seus filhos e investiram anos ensinando-lhes as Escrituras. O receio não é
simplesmente vê-los ingressarem em uma boa universidade, afinal a universidade deveria ser um dos lugares
privilegiados da busca pelo conhecimento e pela verdade. A verdadeira
preocupação é outra: será que eles permanecerão firmes na fé quando suas
convicções forem submetidas ao intenso escrutínio intelectual do ambiente
acadêmico?
Infelizmente, essa preocupação não é
infundada. Há um número significativo de jovens que, justamente no período de
transição para a universidade, afastam-se da igreja e, em muitos casos,
abandonam completamente a fé cristã. Evidentemente, as razões são múltiplas e
variam de pessoa para pessoa. Entretanto, não podemos ignorar que muitos deles
chegam à universidade preparados para resolver problemas complexos de
matemática, física, biologia ou engenharia, mas completamente despreparados
para responder a uma pergunta muito mais fundamental: a verdade existe?
Pela primeira vez, muitos são confrontados
diariamente por discursos que afirmam que toda verdade é uma construção social,
que toda moralidade é apenas uma convenção histórica, que toda religião
constitui apenas uma narrativa cultural e que não existe qualquer fundamento
objetivo para distinguir entre verdade e erro. O problema é que essas
afirmações costumam ser apresentadas como conclusões científicas, quando, na
realidade, repousam sobre pressupostos filosóficos que também precisam ser
analisados, questionados e debatidos.
Talvez um dos maiores desafios da igreja
contemporânea seja justamente este: formar jovens que não apenas saibam no que
creem, mas também compreendam por que é racional crer. Precisamos preparar uma
geração que ame a Deus não apenas com o coração, mas também com toda a mente;
jovens capazes de entrar na universidade sem medo das perguntas, porque
aprenderam que a fé cristã jamais precisou fugir da investigação honesta. Pelo
contrário. Desde o nascimento da ciência moderna, foi justamente a convicção de
que existe uma ordem racional criada por Deus que motivou inúmeros cientistas a
investigar o universo.
É exatamente por isso que encontros como este,
promovidos pelo TDI Brasil, possuem uma relevância que vai muito além da
academia. Eles contribuem para formar uma geração intelectualmente preparada
para compreender que fé e razão não são adversárias. Quando a verdade é
entendida como objetiva e a realidade como inteligível, ciência, filosofia e
teologia deixam de disputar espaço e passam a cooperar na mesma busca pela
compreensão da realidade.
Senão falarmos sobre a verdade outros falarão
aos nossos filhos sobre a mentira, e continuaremos a ver crescer no meio dos
nossos jovens a polarização, o tribalismo, a manipulação emocional, a propaganda
e a engenharia ideológica. É assustador como George Orwell explorou
magistralmente essas questões em seu livro 1984, ao compreender com
profundidade algo que a filosofia da linguagem contemporânea também reconhece:
alterar sistematicamente o vocabulário de uma cultura altera progressivamente
sua estrutura de percepção do real [9]. E
quando a verdade morre, sobra apenas poder. Essa talvez seja uma das
maiores ameaças contemporâneas. Não apenas o erro. Mas a perda da própria
categoria de verdade.
7. A PERSPECTIVA CRISTÃ DA VERDADE
O cristianismo historicamente não destruiu a razão. Ele ajudou a fundamentá-la. A cosmovisão cristã afirma a realidade objetiva, a racionalidade, coerência do universo, valor da lógica e dignidade intelectual do ser humano. Porque o homem é visto como criado à imagem de Deus. Ou seja, um ser racional vivendo num cosmos racional. E então chegamos à afirmação de Cristo:
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos
libertará.”
Percebam, Cristo não trata a verdade como mera
construção psicológica. Nem como ferramenta política. A verdade possui dimensão ontológica. Ela
corresponde ao real. E o próprio Cristo vai ainda mais longe ao afirmar: “Eu
sou o caminho, a verdade e a vida”. Aqui, verdade não é apenas
proposição. É também revelação do próprio fundamento do ser.
CONCLUSÃO - A GRANDE QUESTÃO DO NOSSO TEMPO
Caminhando para o encerramento, gostaria de retornar à imagem com a qual iniciamos nossa reflexão. Aquela figura desenhada no chão. Duas pessoas olhando para o mesmo símbolo. Uma afirmando “é um seis”, e outra “é um nove”. Durante toda a palestra, deixei a pergunta em aberto: quem estava certo? Talvez alguns tenham pensado: “ambos estavam certos”. Ou, “a verdade depende da perspectiva”. Mas agora permitam-me revelar algo importante. O símbolo nunca foi um número. Na realidade, tratava-se de um caramujo estilizado desenhado por uma criança para ser mostrada a um coleguinha. E isso muda completamente a discussão. Porque as interpretações eram sinceras, mas a sinceridade não transformava automaticamente interpretação em verdade. As perspectivas eram limitadas, mas a limitação epistemológica não equivale à inexistência ontológica. O símbolo possuía um significado real independentemente da leitura dos observadores. E talvez esse seja precisamente um dos maiores problemas da cultura contemporânea. Confundimos: limitação epistemológica, com inexistência ontológica; interpretação parcial, com ausência de verdade. Mas o fato de seres humanos interpretarem imperfeitamente a realidade não significa que a realidade deixou de existir. Pelo contrário, a própria possibilidade de erro pressupõe a existência de uma verdade objetiva da qual nos afastamos.
E aqui chegamos ao ponto central desta palestra:
Negar a verdade objetiva não destrói apenas a religião. Destrói também: a
ciência, a filosofia, a moral, o direito, o diálogo racional; e eventualmente a
própria possibilidade de civilização. Porque toda investigação científica
pressupõe que existe um universo inteligível. Toda busca filosófica pressupõe
que existe algo verdadeiro a ser encontrado. Toda justiça pressupõe distinção
entre fato e ficção. Sem verdade objetiva, resta apenas: vontade, poder, narrativa
e manipulação.
Se fracassarmos em transmitir às próximas
gerações a confiança de que a verdade existe e pode ser conhecida, não
perderemos apenas um debate acadêmico. Perderemos homens e mulheres que, ao
ingressarem nas universidades, deixarão de enxergar qualquer fundamento
racional para a própria fé. A crise da verdade não permanecerá confinada às
salas de filosofia; ela alcançará as famílias, as igrejas e, por fim, a própria
civilização.
E talvez o maior desafio intelectual do século
XXI não seja construir máquinas mais poderosas, tornar a economia mais estável;
mas justamente recuperar a coragem de afirmar novamente algo que durante
séculos foi considerado evidente: que existe uma realidade objetiva. Que ela
pode ser conhecida, ainda que parcialmente. E que tanto a ciência quanto a fé
cristã só existem porque a verdade não é uma ilusão psicológica, mas um aspecto
real da própria estrutura do ser. E talvez seja exatamente por isso que Cristo
afirmou:
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos
libertará.”
(João 8:32)
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
· AQUINO, Tomás de. Questões
disputadas sobre a verdade. Tradução Luiz Jean Lauand. São Paulo: Paulus,
2005.
· ARISTÓTELES. Metafísica.
Tradução Giovanni Reale. São Paulo: Loyola, 2002.
· EINSTEIN, Albert. Physics and Reality. Journal of the Franklin Institute, v. 221,
n. 3, p. 349-382, 1936.
· FOUCAULT, Michel. Microfísica
do poder. Organização e tradução Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1979.
· KEPLER, Johannes. Harmonies of the World,
1619.
· KOYRÉ, Alexandre. Do mundo
fechado ao universo infinito. Tradução Donaldson M. Garschagen. Rio de
Janeiro: Forense Universitária, 2006.
· KUHN, Thomas S. A estrutura
das revoluções científicas. Tradução Beatriz Vianna Boeira e Nelson Boeira.
São Paulo: Perspectiva, 2013.
· LEWIS, C. S. A abolição do
homem. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
· LEWIS, C. S. Cristianismo
puro e simples. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
· LYOTARD, Jean-François. A condição pós-moderna. Tradução Ricardo
Corrêa Barbosa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009.
· MCGRATH, Alister. Ciência e
religião: Fundamentos para o diálogo. São Paulo: Thomas Nelson, 2020.
· NIETZSCHE, Friedrich. Fragmentos
póstumos. Tradução Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Abril
Cultural, 1983.
· ORWELL, George. 1984.
Tradução Wilson Velloso. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.
· PLANTINGA, Alvin. Where the Conflict
Really Lies: Science, Religion, and Naturalism. New York:
Oxford University Press, 2011.
· POPPER, Karl. A lógica da
pesquisa científica. Tradução Leonidas Hegenberg e Octanny Silveira da
Mota. São Paulo: Cultrix, 2007.
· SANTO AGOSTINHO. De libero
arbitrio. Tradução Nair de Assis Oliveira. São Paulo: Paulus, 1995.
· SCRUTON, Roger. A Cultura
Moderna. Edições 70, 2021.
NOTAS DE RODAPÉ
[1] TOMÁS DE AQUINO. Quaestiones
disputatae de veritate. q.1, a.1. Tradução inglesa em: AQUINAS, Thomas. Truth.
Translated by Robert W. Mulligan. Chicago: Henry Regnery Company, 1952.
A Questão
1, Artigo 1 da obra Quaestiones disputatae de veritate, de Tomás
de Aquino, aborda a famosa questão "O que é a verdade?". Nela, o
autor investiga a relação transcendental entre o ser e o verdadeiro.
[2] ARISTÓTELES. Metafísica. Livro IV, 1011b26: “Dizer do que é que é, e do que não é que não é, é verdadeiro.”
[3] FOUCAULT, Michel. Microfísica
do Poder. Organização e tradução Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal,
1979, p. 12-14.
Foucault
analisou criticamente as relações entre saber e poder.
[4] NIETZSCHE, Friedrich. Fragmentos
Póstumos. Tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Abril
Cultural, 1983.
Essa
proposição é atribuída a Nietzsche a partir de seus fragmentos póstumos
[5] PLANTINGA, Alvin. Where the Conflict Really Lies: Science, Religion, and Naturalism. New York: Oxford University Press, 2011, p. 307-350.
[6] EINSTEIN,
Albert. Physics and Reality. Journal of the Franklin Institute, v.
221, n. 3, 1936.
[7] A expressão é tradicionalmente associada à compreensão teísta de Johannes Kepler acerca da racionalidade do cosmos e da vocação científica. Ver: KEPLER, Johannes. Harmonices Mundi (1619); KOYRÉ, Alexandre. Do mundo fechado ao universo infinito. Tradução Donaldson M. Garschagen. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.
[9] O conceito está especialmente presente em 1984 principalmente
nas seções sobre: Novilíngua; duplipensar (doublethink); controle
histórico; reformulação semântica.

Um comentário:
Excelente texto.Em uma época em que muitos tratam a verdade como algo relativo, recordar que ela é objetiva e tem seu fundamento em Cristo é um convite à humildade intelectual e à esperança.
Parabéns, Pr.Reginaldo!
Márcia Costa
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